Yorrana Borges: a voz do Surf feminino potiguara
- Entrelinhas
- 7 de jun. de 2019
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Por Duda Lima

Natural da Baía da Traição - Paraíba, terra indígena Potiguara, Yorrana Borges tem apenas 24 anos, mas já recebeu diversas premiações no Surf. A relação da menina com o mar começou cedo, aos 12 anos, e nunca mais parou. “Depois que uma menina fica em pé na prancha, ela nunca mais quer descer”, garante.
“Tudo começou quando um amigo dos meus tios me observou surfando e viu que eu tinha talento, então ele me deu uma prancha - lembro como se fosse hoje”, conta a surfista. Cristiano Almeida, tio de Yorrana, levava rotineiramente a garota à praia até que decidiu levá-la para o Surf Escola, projeto do Instituto Social Esporte & Cidadania Surf Escola, localizado em Cabedelo, na Paraíba. O projeto incentiva crianças e adolescentes a surfarem e estudarem.
Através das competições do Surf Escola, a jovem obtinha resultados cada vez melhores e começou a observar suas amizades como ídolos. Uma em especial foi Diana Cristina, apelidada de Tininha: campeã de competições nacionais e também de estaduais, como o Pernambucano e Paraibano. Em 2012, Yorrana foi campeã paraibana e presenteada pela amiga com uma prancha: “fiquei mais focada ainda no meu objetivo”, afirma.
Depois do campeonato paraibano, a surfista conseguiu um patrocínio e obteve ajuda do pai. Em 2013, ela venceu mais um campeonato paraibano e decidiu sair do estado para competir em Pernambuco, onde foi campeã em 2014 e 2015. Mas foi também nessa época que os campeonatos de Surf feminino passaram por momentos difíceis, sem competições. A partir de então, com cinco troféus nas mãos, Yorrana decidiu abandonar o esporte e procurar um trabalho que pudesse lhe sustentar.
“Comecei a trabalhar em navios - era, de certa forma, um contato com o mar”. Depois da sua experiência fora do esporte e também do país, a ex-atleta voltou para o Brasil e decidiu realizar um sonho: morar em Fernando de Noronha. Hoje, Yorrana surfa por hobby e afirma que tem visto a quantidade de meninas dentro do mar, praticando o esporte, aumentando significativamente. Ela ainda complementa que “antigamente, a gente mal via mulheres dentro da água surfando. Até um dia desses surfar era coisa de homem”. Apesar disso, uma pesquisa da Associação Brasileira de Surf Profissional conclui que “o número de homens que surfam profissionalmente no país (cerca de 350) é mais de 10 vezes maior do que o de mulheres (32)”.
“Eu queria dizer para as meninas que estão começando ou mesmo para aquelas que querem desistir, para que não desistam dos seus sonhos, vocês são capazes! Lugar de mulher é onde ela quiser”.

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