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Utilizada como forma de tratamento, prática de Yoga cresce no Brasil

  • Entrelinhas
  • 28 de mai. de 2019
  • 4 min de leitura

Atualizado: 17 de jun. de 2019

Por Alice Albuquerque





A Yoga é uma atividade completa, e reúne práticas físicas, mentais e espirituais. Ela surgiu na Índia com o objetivo de alcançar auto compreensão, longevidade e maior liberdade espiritual, sendo trabalhada com três pilares: exercício, respiração e meditação. Pilares esses que abordam a flexibilidade do corpo, força e mente. Em dezembro de 2014 foi oficializado o dia 21 de junho como Dia Internacional da Yoga, institucionalizado pela ONU. A data foi escolhida porque marca o solstício de verão no Hemisfério Norte. É o dia mais longo do ano neste hemisfério e tem um significado especial para várias partes do mundo.

A psicóloga Virginia Almeida ressalta que a Yoga pode ser utilizada no auxílio de tratamentos psicológicos, trabalhando a mente e o corpo. “Exercício físico traz benefícios, ele libera neurotransmissores, como a serotonina, que melhoram o bem-estar. A Yoga pode ser indicada para alguém que tem transtorno psicológico porque ela complementa o tratamento psicoterapêutico, de acordo com a identificação do paciente, ajudando na concentração e diminui a ansiedade”, diz.


Virginia ainda completa que pode haver regressão no tratamento psicológico em evolução. “Se o acompanhamento psicoterapêutico for deixado de lado e a Yoga for a única forma de tratamento, ela pode sim regredir casos que já estão com um certo avanço. A prática deve ser um complemento do tratamento. Mas é necessário que o paciente tenha a sua própria terapia, para obter um espaço de acolhimento e de expressão das emoções. Devem haver os dois acompanhamentos para que o quadro não regrida”, reforçou.

A analista comercial, Ana Vilar, de 31 anos, praticante de Yoga há 8 meses, revela que o interesse pela meditação veio quando ela percebeu sua impaciência e problemas de concentração. “Estava muito agitada, foi então que decidi conhecer o silêncio e a respiração consciente. Foram dois motivos que me levaram à Yoga, mas, o principal, foi a busca por algo que estava faltando em mim”, acrescenta.



O gráfico acima aponta motivos que motivaram a prática da yoga.

Carolina Lima, de 34 anos, é analista de sistemas e ressalta a evolução ao utilizar a Yoga como complemento de um tratamento psicoterapêutico. “Tinha crises de ansiedade e síndrome do pânico. Algumas vezes fui parar no hospital por conta disso, e quando comecei a trabalhar a respiração e a meditação, as crises pararam. Tenho mais concentração e aprendi a me cobrar menos. Fisicamente, tenho mais elasticidade no corpo e me sinto mais disposta. A qualidade do sono também melhorou”, relata.


Ana Vilar ainda afirma que leva a prática como filosofia de vida. “A Yoga nos leva a refletir sobre nós mesmos. Tento levar cada ensinamento para dentro de mim e isso me ajuda a lidar melhor comigo e com as pessoas. Na primeira aula tive um misto de emoções. Ao mesmo tempo que me sentia distante de todas as posturas e concentração, também me sentia bem e em paz. Sai de lá revigorada e, no decorrer das aulas, vi o quanto a prática era benéfica para mim. Melhorou bastante a minha concentração, equilíbrio, força. A paciência foi um dos principais para mim”, comenta.


O professor da UFPE, Lucio Câmara, de 36 anos, destaca como a experiência ajudou na melhora do seu desempenho no surf, esporte que pratica. “Vivemos uma vida muito agitada e acabamos perdendo o foco nas coisas, além de aumentar o nível de estresse. Me considero uma pessoa muito ansiosa e procurei a Yoga por isso. Ela melhorou bastante meu desempenho no surf, ajudando a ter mais equilíbrio, serenidade, redução de ansiedade e estresse”, acrescenta.


O gráfico acima aponta melhoras com prática da yoga.

Prática passa a fazer parte das políticas públicas de saúde


No Brasil, além de conquistar academias e estúdios privados, a Yoga passou a fazer parte, desde 2006, de políticas públicas implementadas no Sistema Único de Saúde (SUS) e integra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), campo trabalha com sistemas médicos e recursos terapêuticos, também conhecidos como Medicina Tradicional e Complementar/Alternativa (MT/MCA), pela Organização Mundial de Saúde (OMS).


A PNPIC auxilia o SUS na atuação da prevenção, promoção, manutenção e recuperação da saúde, com uma atenção humanizada e centrada na integralidade do indivíduo para equilibrar todo o organismo. A prática integrativa representa um avanço no processo de construção do SUS, garantindo o acesso dos cidadãos brasileiros a serviços nos quais eram antes restritos. Ela trabalha com práticas da Medicina Tradicional Chinesa e, pela demanda dos municípios, o Ministério da Saúde publicou a Portaria nº 849, de 23 de março de 2017, que incluiu novos procedimentos às práticas já regulamentadas pela Política, dentre elas, está Yoga, Reiki e a Shantala.

Dados do e-SUS, coletados através do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) indicam que há um crescimento na procura das práticas integrativas. Em 2016, foram registrados mais de 2 milhões de atendimentos. Mais de 770 mil atendimentos foram de Medicina Tradicional Chinesa, que inclui a acupuntura; 85 mil foram de fitoterapia; e 13 mil de homeopatia. E, ainda, mais de 926 mil foram de outras práticas integrativas


Os números mostram que, também em 2016, mais de 1.708 municípios ofereciam as práticas e que 78% da distribuição dos serviços estavam concentrados na atenção básica, 18% na atenção especializada e 4% na atenção hospitalar. Foram mais de 7.700 estabelecimentos de saúde ofertavam alguma prática integrativa e complementar em saúde. De acordo com esses dados, as Pics estão presentes em quase 30% dos municípios brasileiros.


Como estamos no Brasil, esse crescimento não acontece de forma igualitária. Algumas cidades e estados têm adotado ou instituído uma Política Municipal ou Estadual de Práticas Integrativas. Recife é uma delas, diferente das demais cidades da região do Nordeste, que não estão inclusas na lista.

No gráfico abaixo, é possível observar melhoras nos sintomas após o acompanhamento dos pacientes com as Pics. Os maiores percentuais podem ser observados nos pacientes que relataram as maiores queixas iniciais: dores no corpo e estresse.





 
 
 

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Por um jornalismo esportivo que tenta fugir do óbvio e busca uma cobertura humanizada com foco nas transformações sociais provocadas pela prática esportiva.

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