Torre humana: conheça o fascinante esporte espanhol
- Entrelinhas
- 28 de mai. de 2019
- 3 min de leitura

Por Welli Galindo
As torres humanas, ou originalmente ‘castells’, são um tradicional esporte espanhol. Apesar de pouco conhecido pelo mundo, o símbolo da Catalunha (região no leste da Espanha) é classificado como Patrimônio Cultural da Humanidade, pela UNESCO, desde 2010.
A tradição de quase 300 anos teve início com os camponeses do século 18. Eles faziam dessas torres um meio para diversão, mas ela acabou se enraizando na cultura local. As festas populares de Barcelona e de toda a Catalunha sempre contam com a presença dessas performances. Com o passar do tempo, o que era apenas lazer se transformou em um esporte com regras, campeonatos e equipes de centenas de pessoas.
As equipes são chamadas de ‘collas’ e geralmente representam uma região, cidade ou vilarejo. O número de participantes para cada grupo gira em torno de 200. Apesar de tantas pessoas, cada um tem uma função específica e possui uma importância singular para a ‘colla’.
As estatísticas são impressionantes. Além do número impressionante de participantes, os resultados alcançados por eles são maiores ainda. Você imagina a altura que os castelos humanos podem alcançar?
Entenda como funciona
Toda a formação dos castells é complexa e calculada com muito tempo de antecedência. Com uma organização de distribuição de peso, a torre é sustentada por uma base chamada ‘pinya’, ou pinha. Ela é formada por cerca de cem castellers (como são chamados os competidores), todos pressionando e empurrando uns aos outros. Essa estratégia serve tanto para sustentar os andares superiores, quanto para amortecer possíveis quedas.


A torre começa realmente a subir com o ‘tronc’, ou tronco. Como o nome sugere, essa é a parte vertical da formação. O topo do castelo humano é chamado de ‘pom de dalt’, onde ficam os mais leves e jovens. O último integrante da subida é uma criança, geralmente menina, entre cinco e seis anos, que ocupa a posição mais alta da torre.


Cada detalhe é planejado. As roupas dos competidores sempre são compostas de calças e camisas de manga cumprida e gola, para proteger do momento em que ele será base para outra pessoa subir ou descer. Outro aspecto importante é o pano amarrado, firmemente, em volta da barriga. Ele serve para ajudar na sustentação do corpo, como também apoio nos pés de quem está subindo.
A competição
O ‘Concurs de Castells de Tarragona’ é o torneio ‘casteller’ – que se aproxima de um espetáculo – mais relevante no mundo. A competição faz parte da cultura catalã e teve sua primeira edição em 1932, não mantendo um padrão de continuidade até 1980. O concurso, desde esse ano, se firmou e agora é realizado a cada dois anos. Em 2018 houve a 27ª edição do concurso e a equipe Vella dels Xiquets de Valls levou o título de campeã para casa.
O torneio tem a participação de pessoas de todos os tipos físicos, tamanhos e idades. Sobre a presença de crianças, a cultura catalã considera que ela serve para educar os pequenos a trabalhar em grupo e desenvolver uma determinação e persistência em seus objetivos.
E se desabar?
Ao ver uma torre tão alta, é impossível não pensar: “e se cair?”. A taxa de sucesso nesse esporte é de 95%, ou seja, os outros 5% desabam no chão. A equipe treina semanalmente para nada sair do controle, mas caso aconteça, a ‘piña’ sustenta o impacto e, geralmente, as contusões não são graves.
Durante os séculos de existência, apenas há registro de três acidentes mortais. Um no século 19, outro em 1983 e o último em 2006, em Mataró. A tragédia fez com que o uso de capacete se tornasse obrigatório.

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