Time perdedor do coração
- Entrelinhas
- 7 de mai. de 2019
- 2 min de leitura

Por Amanda Diniz
A paixão por futebol é algo que vai muito além dos campos. Certo dia estava passando pelo quarto do meu irmão e me deparei com uma cena inusitada. Ele estava com as mãos na cabeça prestes a explodir. A televisão estava desligada, então eu pensei que aquilo não era culpa do Náutico, time pelo qual ele torce. Acontece que era, e ao mesmo tempo não.
Perguntei, como quem não quer nada, o motivo daquele estresse todo, e a tela do computador me foi apresentada com um goleiro, uma bola e uma trave montados num campo feito de pixels. Tamanho era o amadorismo daquele jogo, tanto em jogabilidade, quanto em gráficos, quanto em qualquer coisa que você, leitor, possa imaginar.
Estamos falando aqui de um chute a gol onde você tem porcentagens aleatórias de acertar ou errar, não tem técnica, não tem jeitinho brasileiro, não tem nada além de sorte. Mesmo sabendo disso, lá estava meu irmão, devastado, quase que com a corda no pescoço, com o Náutico perdendo mais uma vez. E desta vez pior, ele quem “conduzira” a derrota.
Era só um jogo de computador, mas comecei a entender a angústia dele. Torcemos para o mesmo time, o mesmo time que recentemente perdeu para o maior rival depois de dar esperança para todos os torcedores na final do pernambucano. Então, talvez ali, onde só precisava de sorte, o Náutico poderia ganhar. Mas a sorte não estava a nosso favor.
A partir daquele momento eu já queria tentar acertar, indo contra todo o meu pensamento de que era pura sorte. Queria que existisse uma lógica, mas não tinha. Tentei três vezes, só ia fora. A bola não entrava no gol. Eu queria ganhar, meu irmão queria ganhar, e agora vencer aquele joguinho era questão de honra.
Nós já estávamos arrasados com o time, e agora virtualmente arrasados também. Então me veio a ideia, se não podemos ganhar com ele, ganhamos dele. Pedi ao meu irmão para jogar contra nosso time perdedor de coração, e foi o que fizemos. Ganhamos do Náutico. O Bruno, mais uma vez, para nossa alegria, não pegou as bolas dos pênaltis.




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