Terceira idade sem medo de ousar
- Entrelinhas
- 7 de mai. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 8 de mai. de 2019
Por Alice Albuquerque
Há quem diga que atividade física para pessoas da terceira idade se resume a pilates, musculação, hidroginástica e caminhada. Assim como Eliane Ribeiro, de 60 anos, 38,4% das mulheres praticam exercícios para melhorar a qualidade de vida, segundo dados do IBGE. Elas também fazem parte dos 13,4% da terceira idade que realizam atividade física no Brasil.
Quanto mais atividade física, maior o efeito positivo na saúde. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), para prevenir ou retardar o aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis, a terceira idade deve realizar, semanalmente, pelo menos 150 minutos de exercícios de intensidade moderada ou 75 minutos de grande intensidade. Seu excesso pode ser prejudicial à saúde. O que torna que a prática seja orientada por um profissional capacitado para a função.
A fisioterapeuta Glízia Souza afirma que atividade física é totalmente fundamental para a terceira idade. “Sabemos que, a medida que o corpo vai envelhecendo, ele tende a perder massa muscular, o que leva a perda do equilíbrio e dificulta a locomoção, assim como também a respiração. Por isso que a atividade física é tão importante. Atrelada a fisioterapia, ela melhora a coordenação motora, o equilíbrio e dificulta o envelhecimento.”
Eliane sempre teve cuidado com a saúde: são 25 anos de academia. Ela entrou nessa vida fitness com um propósito: a corrida. E se sente orgulhosa por fazer parte de apenas 0,50% das mulheres entre 55 e 64 anos que praticam corrida no Brasil. Eliane corria apenas cinco quilômetros e sempre teve a ânsia de aumentar essa distância. Não conseguia por lesões nos joelhos e no quadril. Foi quando resolveu se matricular em uma academia e trabalhar o fortalecimento dos músculos para ter um melhor rendimento na corrida.
Hoje Eliane Ribeiro já corre 13 quilômetros. Seu treino de musculação ocorre de quatro a cinco vezes por semana. Nas segundas, quartas e sextas, é o treino da corrida. Para isso, ela acorda às 03h40 da manhã para correr, volta para casa, vai ao trabalho e depois do cochilo do almoço enfim vai para a academia. É uma rotina de treino bastante ativa.
Segundo Glízia Souza, essa rotina se enquadra no envelhecimento ativo. “Ele significa que a pessoa vai envelhecendo e não se deixa ficar sedentária. O que ajuda na questão emocional, evita depressão, ajuda na interação social.”
Quando questionada sobre as lesões que as pessoas de mais idade podem sofrer, a fisioterapeuta alertou. “O risco de lesão existe em qualquer idade. Sabemos que o idoso tem uma certa fragilidade óssea, muscular e, devido a isso, ele deve ter mais atenção, tudo deve ser trabalhado de acordo com as limitações deles, para que ajude, ao invés de piorar e levar até a algo mais sério, como uma fratura.”
Eliane também afirmou que procurou um nutrólogo há pouco tempo. “Eu precisava organizar as minhas taxas. Elas estavam muito desorganizadas, inclusive a hormonal. Depois disso, consegui notar que eu dei uma ‘secada’. Até parei de ir, mas tento manter a dieta com a minha nutricionista também. Sou uma formiga, e quando engordo um pouco, fica ruim para fazer a minha corridinha. Eu amo correr.” A nutricionista Izabel Ventura ressaltou que a alimentação melhora a função do exercício. “O ideal é ter uma alimentação equilibrada junto com exercícios físicos regulares, que devem ser prescritos por profissionais. Essa junção faz com que a população que está em processo de transição para o envelhecimento possa atingir essa fase com qualidade de vida, autonomia e saúde.”
A corredora também fez questão de destacar que tem uma doença chamada lúpus, uma doença inflamatória autoimune, e a partir disso desenvolveu trombose. A corrida e a academia juntas fazem um grande diferencial no tratamento. “Já perdi minha audição e graças a Deus não uso mais medicação para ela. Com a atividade física eu sinto que meu corpo e minha imunidade melhoram. Se eu parar por 15 dias, já me sinto doente. Por isso, é importante fazer atividade física. Agradeço muito a minha corrida, é graças a ela que me sinto muito bem.”
A nutricionista ainda deixou claro que o envelhecimento saudável não é só a ausência de doenças. “Uma alimentação saudável auxilia no processo de envelhecimento, sobretudo como o fator proteção. Tendo em vista que, na velhice, é comum o aparecimento de intensificação de doenças devido ao processo de retardo que o organismo passa a enfrentar. Alimentos que contêm antioxidantes possuem o efeito protetor do sistema imunológico e auxilia no combate diversas doenças.
Para Eliane tudo é em prol da corrida. Ela também já praticou boxe. “Me dava bastante resistência. Me sentia forte para correr.” Como se já não bastasse toda essa disposição e prazer que Eliane tem em fazer os exercícios, ela também é uma das poucas que se dedica de forma quase integral da academia que treina. “Tem várias pessoas da minha idade. Mas não se dedicam tanto quanto eu. Vejo mais isso nos jovens.”

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