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O Preço da Bola

  • Entrelinhas
  • 25 de abr. de 2019
  • 3 min de leitura

Por Amanda Lacerda


O Brasil vem enfrentando uma crise econômica desde o ano de 2014, quando a então “marolinha” finalmente estourou. Mas, no caminho contrário à fragilidade do país está o crescimento do PIB esportivo, ocupando cerca de 1,6% do PIB nacional, o equivalente a 67 bilhões de reais, o mesmo produto interno bruto da Sérvia.

Não parando por aí, a estimativa de crescimento para o Brasil nos próximos anos é de apenas 1,5%, tendo o esporte com o triplo de melhoria. Desta forma, podemos dizer que a economia brasileira anda a um ritmo europeu, enquanto a economia esportiva galopa num ritmo chinês.

Clubes, jogadores, comércio, vestuário, artigos e equipamentos entram nessa contagem do quantitativo em reais que corresponde ao PIB esportivo, que tem como grande foco o futebol. Ocupando o lugar de “astro” dos esportes, o imigrante inglês naturalizado brasileiro é o agente responsável por 0,8% do produto esportivo. Isso se deve ao fascínio global pela modalidade.

“Aqui vem uma média de quinze a vinte pessoas por dia. Normalmente é procurando pelas camisas (do time). Isso eu tô falando de um dia normal, quando lança padrão novo o estoque esgota em menos de duas horas.”, explica Carlos Filho, vendedor na “Cazá do Sport”, loja oficial do Sport Club do Recife, time que foi o 5º colocado no ranking nacional da Netshoes, uma das principais lojas de artigos esportivos, no quesito venda de camisas.



Imagem: Divulgação


Os outros times de Recife também não ficam para trás quando a questão é venda, mas concordam que com a fase ruim nos campeonatos a procura diminui bastante “O Sport tá vendendo mais porque tão fazendo uma campanha melhor. Tão ganhando. Mas aqui não tem concorrência não, os torcedores compram a camisa do time independente da fase ruim, diminui só um pouquinho, mas depois voltam. A torcida é fiel, tem que ser.”, diz Cleberson Souza, vendedor da Loja Cobra Coral, ponto de venda oficial do Santa Cruz.

Para Felipe Bandeira, de 13 anos, para ser torcedor de verdade é preciso adquirir tudo o que o time disponibilizar em suas lojas “Eu compro tudo. Tenho camisa, bola, luva de goleiro (...). Compro até coisas que não vou usar.” Afirma o garoto rubro-negro.

Entretanto, outros torcedores pensam que não funciona dessa forma e devem haver limites. “Não gasto mais de duzentos reais numa camisa, prefiro esperar o padrão ficar um pouco mais velho e depois compro. Não tem bolso que aguente isso de ficar mudando. Eu só troco quando realmente não dá mais pra vestir.”, relata o admirador do Tricolor do Arruda, João Amorim, 46 anos.

Mas, apesar da forma racional como alguns torcedores pensam, em época de Copa do Mundo as vendas de padrões CBF chegam a quadruplicar. Isso porque além do “time do coração” o brasileiro tem mais uma paixão: a Seleção Brasileira. Isso se dá pelo fato de que não existe divisão entre as torcidas, o futebol unifica as pessoas. “A que mais vende do Brasil é Neymar, as outras mais procuradas são as de Portugal e da Argentina. Na Copa do Mundo a loja fica uma loucura, todo mundo quer ficar a caráter pra assistir os jogos.”, conta Simone Pereira, vendedora da loja de produtos esportivos Centauro.

Desta forma fica bastante evidente que o futebol movimenta uma economia, o futebol tem vários rostos, o futebol é um fenômeno mundial, o futebol é o esporte coletivo mais popular do planeta. E, como já disse Nelson Rodrigues: “Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola”.

 
 
 

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Por um jornalismo esportivo que tenta fugir do óbvio e busca uma cobertura humanizada com foco nas transformações sociais provocadas pela prática esportiva.

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