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Presença feminina cresce e mostra força no Muay Thai

  • Entrelinhas
  • 7 de jun. de 2019
  • 5 min de leitura

Atualizado: 17 de jun. de 2019

Por Alice Albuquerque





Muay Thai é a arte marcial em alta no momento. O que chama a atenção de quase todas as pessoas que frequentam academias. Isso faz com que ele tenha mais visibilidade e, quando veem mulheres praticando, as outras acabam por se interessar, tendo em vista que é um esporte predominantemente masculino.


A publicitária Carmem Suassuna faz questão de ressaltar que, quando começou no esporte, Recife não oferecia um lugar para treinar Muay Thai sem ter foco em competição e, por ser um esporte aparentemente violento, seus pais tinham receio que praticasse. “Acho que estava com tanta vontade de começar a praticar que não tive receio se tinha um predominância masculina. Me considero um ponto fora da curva por isso. Nada ia me impedir de fazer as aulas. As aulas com esse professor são voltadas para as tradições do Muay Thai e talvez por isso nunca teve muito homem”, afirma.


Carmem afirma que, pelos benefícios do Muay Thai, ela procura incentivar tanto homens quanto mulheres, mas principalmente as mulheres. “Além de ser um exercício físico muito bom, ajuda a equilibrar o emocional. É uma junção das emoções e do físico. Aprendi muito no Muay Thai como ter uma relação diferente com a vida. A gente aprende a se respeitar, respeitar os outros, a hierarquia do mestre, dos alunos, dos outros prajieds – a graduação do Muay Thai. Não é só uma questão de saber golpear, nem saber bater em alguém, é muito além do físico e do emocional”


A publicitária revela que já foi alvo de comentários machistas e que não se deixou retrair, muito pelo contrário. “Já ouvi vários comentários machistas, mas teve um senhor que chegou para fazer a aula dizendo que já treinava fazia um tempo e eu era a mais graduada na sala. Via ele soltando uns risinhos, piadinhas. O professor reparou e trocou as duplas, ele não conseguiu pegar meus chutes no aparador, com a força, ele andava para atrás, até que pediu para o meu mestre segurar, porque não estava aguentando. Ainda soltou uma gracinha ‘meu Deus, ela é muito forte né’. Ao final da aula, ele chegou e disse que nunca pensou que ia falar isso de uma mulher, ‘você tem muita força’. Foi quando eu disse a ele que, quando a gente treina, todo mundo tem força, não tem isso de ser mulher ou não, só não fico jogando na cara que sou graduada e você não é”, completa.


Para as mulheres, é uma forma de aprender alguns movimentos de deseja pessoal, que ajuda a se sentir segura e aumenta a auto confiança. A combinação do treino de musculação aumenta a força e volume muscular, além da velocidade nos golpes e a resistência, que são coisas essenciais para as artes marciais.


Ela afirma que, por não querer lutar, uma das formas que encontrou de ser mais respeitada nesse ambiente predominantemente masculino foi fazendo um curso de arbitragem. “Sou bastante graduada e sempre quis estar na área, então fiz o curso de arbitragem. Quando entro nos lugares, sou muito respeitada porque faço parte da equipe de arbitragem de campeonatos. Quando entro num ambiente com a farda da arbitragem, sinto que muda, dá um respeito, sabe? Depois disso, ninguém nunca mais olhou para mim diferente só por eu ser mulher e estar nesse ambiente. Porque além de treinar e ser graduada, ainda sou árbitra. Me respeita, caramba”, brincou.


O Muay Thai é conhecido como a “Arte das Oito Armas”, porque faz o uso de cotovelos, punhos, canelas, joelhos e pés. Tendo golpes de combates aplicados em pé, a curta, média e longa distância do adversário. Os movimentos básicos são chutes, socos, cotoveladas e joelhadas.


Carmem ainda completa que as mulheres estão cada vez mais tomando seus lugares nessa arte marcial que tem tanta predominância masculina e receio das mulheres, por ter o esteriótipo de uma arte violenta. “Falando como arbitra, até as regras de arbitragem são diferentes. A pesagem das mulheres é diferente, como não tem muitas mulheres lutando, ela é de 50kg até 65kg, de 65kg até 85kg, quando, no homem, a categoria muda de cinco em cinco quilos. Não tem muita gente ainda competindo, mas sei que hoje as mulheres estão indo cada vez mais fazer aula, estão se abrindo mais para o Muay Thai. É devagarzinho, ainda tem um certo preconceito. Vejo que as lutadoras que acompanho estão conseguindo mais lutas e divulgações por conta disso. As academias estão se enchendo de mulheres e acho que isso não vai parar”, ressalta.


Os treinos feitos com cordas, corridas, abdominais e exercícios intensos para as pernas, são agitados tanto para homens, quanto para mulheres, e exigem muito esforço e dedicação. Muay Thai é uma arte marcial de contusão, bastante agressiva, um vacilo e você pode quebrar o nariz no sparing, o que faz com que muita gente se afaste do esporte, principalmente mulheres, por ter que fazer o sparing com homens que, muitas vezes, não respeitam e batem como se tivessem em uma luta real.


Por outro lado, a arquiteta e ex praticante do Muay Thai, Thúlya Albuquerque, ressalta que se afastou das aulas por comentários machistas vindos de um professor específico. “Uma vez estava no treino com um ‘professor substituto’. Estávamos todos fazendo o mesmo exercício – homens e mulheres – e chegou um momento que ele virou para os meninos e perguntou se eles estavam ‘lutando que nem mulher’, porque eles estavam fazendo o golpe errado e batendo devagar. O professor titular tentou tirar por menos falando ‘lute como uma garota’, mas deu para notar que ficou um clima estranho e me senti muito desconfortável com a situação”, conta. Ela também completa que aconteceram umas coisas e esse professor substituto se tornou o titular na academia que treinada, e que, por isso e outras coisas, ela saiu da turma.


Além do preconceito, as mulheres ainda têm que enfrentar situações difíceis. É difícil marcar uma luta feminina porque não é fácil achar uma adversária que seja do mesmo porte físico que a outra, coisa que é necessária para uma luta. As mulheres até praticam Muay Thai, mas poucas querem lutar.


Thúlya Albuquerque já teve aulas com Débora Melo e afirma que se sentia mais à vontade. “Gostava muito das aulas de Rafael, mas quando era com Débora, sei lá, a aula rendia mais, ela dava mais atenção para as mulheres. A sala era predominantemente masculina e eu me sentia intimidada de alguma forma. Quando Débora assumia a aula, era mais fácil, inclusive os alunos não gostavam muito porque às vezes ela pegava mais pesado no treino. O que eu mais gostava de ver era uma mulher mandando em um monte de homem machista que tinha que obedecer (risos)”, ressalta.


No Recife existe uma academia de Muay Thai e Kickboxing apenas para mulheres. Ela fica na rua Engenheiro Ubaldo Gomes de Matos, 53 - Santo Antonio, Recife, Pernambuco. As aulas acontecem toda segunda, terça, quinta e sexta-feira, das 8h, às 22h, e nos sábados, das 9h, às 17h. O telefone para contato é (81) 9 8614-0442.

 
 
 

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Por um jornalismo esportivo que tenta fugir do óbvio e busca uma cobertura humanizada com foco nas transformações sociais provocadas pela prática esportiva.

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