Em tempos de videogame, futebol de mesa resiste e desenvolve profissionalização
- Entrelinhas
- 17 de mai de 2019
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Por Amanda Diniz
Oficialmente brasileiro e reconhecido como esporte pelo conselho nacional de desporto, o futebol de mesa teve seus momentos de glória nos anos 80. Esta modalidade do “futebol” consiste em um jogo simulado, praticado com botões apropriados que, de certa forma, representam os jogadores e são movidos com o auxílio de uma palheta.
A princípio, existiam várias regras, sendo o carioca Geraldo Décourt o criador do primeiro livro de regras oficiais, em 1930. Assim, pode-se dizer que foi a partir do Rio de Janeiro que o futebol de botão passou a ser difundido para vários outros Estados. Naquela época, o jogo era conhecido como Celotex, o mesmo do material para a confecção das mesas. Com a popularização em todo o país, cada região desenvolveu suas próprias regras.
Mas a brincadeira ficou coisa séria em 1988, quando o Conselho Nacional do Desporto reconheceu o futebol de botão como esporte legítimo, oficializando as três modalidades praticadas até hoje: baiana, carioca e paulista. A diferença entre elas é a quantidade de toques. Na primeira, a baiana, a regra é de um toque, na carioca são três toques e na paulista são doze. Hoje, o esporte conta com muitas federações, campeonatos estatuais e nacionais, além de um campeonato mundial. Em Pernambuco, apenas a baiana e a carioca são modalidades aceitas.
Segundo a Comissão Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM), existem cerca de seis mil botonistas filiados e estima-se que ainda há cem mil praticantes espalhados pelo país. Ou seja, mesmo em tempos cibernéticos, onde o meio digital é o principal, o futebol de botão resiste.
“Meu pai me presentou ao futebol de mesa quando eu tinha oito anos. Hoje, não vivo sem. Sou apaixonado por futebol e acho que essa modalidade ainda vai voltar com toda a força algum dia”, declara o estudante de Tecnologia da Informação, João Fabrício, 23 anos, que está desenvolvendo um projeto em versão digital do futebol de mesa, adaptando o esporte para a realidade atual. “É uma forma de fazer com que os mais novos se interessem pelo futebol de botão, assim como eu me interessei. Ainda está em fase de testes e não tem um nome. Mas em breve sairá para aplicativo e computador”, completa. João Fabrício conta com apoio de mais dois colegas para o projeto do curso.
A paixão passada de pai para filho também faz parte da história de Armando Silva, 45 anos, fundador do clube Recife Arena Futmesa, que busca uma sede própria. “Comecei a jogar com dezesseis anos de idade. Meu pai era mecânico na aeronáutica e fazia os botões com os restos das janelas. Aquilo ali é feito de Mica, um material muito bom pra os botões. Ele era referência na época, todo mundo queria um botão dele”, lembra.
A paixão de Armando é tão grande que o time foi fundado no dia do seu aniversário, para que fosse seu presente e orgulho. “Todos aqueles que se envolvem com esporte amador, especialmente o Futebol de Mesa, sabem o quanto é difícil conseguir espaço permanente e reconhecimento da importância. Mas, mesmo com todas as dificuldades, meu sonho sempre foi repassar o futebol de botão para as outras pessoas, desta forma ele nunca vai acabar.”

Outros times de futebol de botão podem ser encontrados no Recife, incluindo o do Santa Cruz, tricampeão pernambucano. A ideia desses grupos ainda é aprimorar a forma de competir, e se preparar com mais qualidade para as competições. Além dos atletas do clube, há também os que praticam sem colocar tanto peso assim. Funciona como uma terapia, que relaxa e entretém os apaixonados pela modalidade.
Então, podemos dizer que o futebol de mesa resgata a interação pessoal, aliada à seriedade de um esporte competitivo e está presente no coração de vários brasileiros, independente da idade e dos meios.



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