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Diferença de público entre jogos "normais" e finais comprova ineficiência das fórmulas dos Estaduais

  • Entrelinhas
  • 26 de abr. de 2019
  • 3 min de leitura

Reconhecer erros é o primeiro passo para nosso jogo não retroceder



Nilton Santos vazio no Clássico dos Milhões pelo Campeonato Carioca.
Nilton Santos vazio no Clássico dos Milhões pelo Campeonato Carioca. Foto: Reprodução/TV Globo


Por Allan Lopes

Neste fim de semana conhecemos os campeões dos principais Estaduais do País. Não faltaram emoção, grandes clássicos e festas nas arquibancadas lotadas. Sem dúvidas, o protagonismo nas finais esteve no torcedor que apoiou, gritou, chorou e comemorou. Entretanto, onde ele estava nos primeiros jogos da temporada? Não o culpo, afinal boa parte dessas partidas apresentam nível técnico quase inexistente, péssimas arbitragens e sequer há objetivo. A discrepância das médias pífias de público nas primeiras fases frente à massiva presença das torcidas nas fases decisivas é retrato da decadência das competições. O torcedor quer ver um retorno financeiro e competitivo do torneio ao seu time, duas coisas que não existem nos confrontos diante de times do interior, por exemplo.

Antes de qualquer coisa, é importante ressaltar que não sou a favor do fim dos Estaduais. Reconheço o valor que possuem na história do futebol brasileiro e a importância para os clubes menores. Ainda assim, os modelos de disputa atualmente propostos pelas federações afastam o público e possibilitam que os atletas não apliquem 100% das suas condições físicas e técnicas no campo. A arrogância dos presidentes das instituições, ao lado da negligência dos responsáveis pelos grandes times impede, qualquer desenvolvimento no esporte mais praticado e assistido do Brasil.

Quem entendeu a fórmula do Campeonato Carioca? Mais complicada do que qualquer equação matemática (um aspirante à jornalista está escrevendo isso). A média de público da competição atingiu a incrível marca de 7.571 pessoas por jogo. Nem mesmo no jogo de ida da finalíssima entre Vasco e Flamengo houve apelo para ambas torcidas e apenas 9.976 estiveram no Nilton Santos, o que gerou um déficit de R$ 332.873,00 para as duas equipes. Por outro lado, a partida decisiva no Maracanã reuniu 52.398 aficionados, vestindo camisas rubro negras ou cruz-maltinas. Estavam ali ansiosos na expectativa de seus respectivos capitães levantarem a taça. Sim, era um Estadual, mas o último número aqui colocado definitivamente não foi mérito dele.





A maioria dos estados brasileiros dispõem de rivalidades, sejam da mesma cidade ou vizinha, onde no mínimo dois clubes movimentam multidões que se odeiam e odeiam ainda mais o técnico e seus jogadores quando perdem o clássico. É um princípio básico do futebol. Quando um título é disputado entre eles, quem não gostar de futebol melhor se esconder, porque será a semana inteira de comentários, discussões, palpites e resenha. Existem muitas coisas envolvidas quando se trata de clássicos em finais: duelos históricos, gols inesquecíveis, ídolos decisivos e até mesmo derrotas doídas. Então, antes de falar da “magia” proporcionada pelas competições Estaduais, que realmente havia décadas atrás, lembremos das histórias escritas no sentimento daqueles apaixonados que carregam o escudo do clube no peito.

Os anos 70, 80 e 90 foram épocas de ouro do futebol brasileiro. Estádios abarrotados de pessoas para verem verdadeiros craques nos gramados, tal como Sócrates, Reinaldo, Zico e posteriormente Romário, Bebeto e Raí. Os mais velhos carregam o saudosismo desses tempos. Muitos gols marcantes e vitórias memoráveis aconteceram nos Estaduais, tendo inclusive conquistas igualmente celebradas ou maiores do que títulos do Campeonato Brasileiro naqueles anos. Contudo, os anos se passaram, a economia mudou, a maneira de fazer futebol também, e por isso devemos evitar que o saudosismo comande os bastidores além das quatro linhas. Lutar pelas festas nas arquibancadas e jogos de qualidade é essencial para nosso posto de “País do Futebol” ser retomado, e não vai ser olhando para trás que isso será feito.

 
 
 

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Por um jornalismo esportivo que tenta fugir do óbvio e busca uma cobertura humanizada com foco nas transformações sociais provocadas pela prática esportiva.

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