A Europa está por toda parte
- Entrelinhas
- 28 de mai. de 2019
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Por Alexandre Ricardo
O futebol Europeu é popular mundialmente devido ao protagonismo em campo e o alto nível das partidas. É lá onde estão os mais conhecidos e mais valorizados atletas, atraídos por grandes clubes que têm se tornado marcas atraentes de investimento, visibilidade e, obviamente, um grande público.
Apesar de ser considerado o país do futebol, o Brasil não foge à regra dos mercados alcançados pelo trabalho desenvolvido pelo continente europeu, sempre enviando atletas para times de grande porte internacional. Isso faz com que a popularização dos times estrangeiros cresça no país. Sabendo disso, pesquisa encomendada pelo Ibope/Repucom, em 2017, perguntou o segundo time do coração das pessoas. Entre os clubes estrangeiros, os cinco mais votados eram europeus.
Levantamento realizado pela mesma instituição, no ano anterior, constatou que 72% dos jovens usuários de internet, procurados pela pesquisa, torciam para alguma equipe do exterior. O aumento foi de oito pontos percentuais em relação à mesma amostragem de três anos anteriores.
- Ranking dos Clubes Internacionais

Organizada pela FIFA – Federação Internacional de Futebol –, a Copa do Mundo Interclubes foi iniciada em 2000, tendo o Corinthians como o campeão. Voltando ao calendário do futebol mundial em 2005, a competição teve ainda São Paulo e Internacional como vencedores, até que, a partir de 2007, o predomínio europeu foi instalado. Neste período de 11 anos (2007-2018), o único campeão sul-americano foi o Corinthians, em 2012.
Essa consolidação, que passa por equipes que marcaram época e o destaque que grandes atletas alcançaram, foi responsável por criar torcedores empenhados a conhecer mais sobre os clubes, mesmo que a uma grande distância. É o caso do carioca Ivan Nolasco, criador do site Chelsea Fans Brasil, no ar deste 2017, para compartilhar o amor pelo Chelsea Football Club, de Londres, capital da Inglaterra.
“Minha paixão pelo Chelsea veio em 2002, quando assistia na TV alguns jogos e isso foi se confirmando durante o passar dos anos. Conheci pessoas que também curtiam o clube e surgiu a ideia de fazer um site. Sentia a necessidade de falar sobre o clube, estar ligado de alguma forma a um meio de levar informações, criar fóruns de debate e proporcionar um espaço para tantos outros apaixonados”, relata o torcedor.
Outro caso parecido é o da comunidade AC Milan Brasil, único grupo reconhecido oficialmente pelo Milan, da Itália, no território brasileiro. Nathalia Perez, moradora da cidade de Santos, estado de São Paulo, é uma das responsáveis pela condução do trabalho. Ela conta como tudo começou.
“Oficializamos a torcida em 2017. Porém, a AC Milan Brasil existe desde os tempos do Orkut. Era uma comunidade de interação que, com o tempo e a chegada de outras redes sociais, virou uma rede de informação sobre o clube. Hoje a gente une os dois conceitos: informar e juntar os rossoneri brasileiros”, lembra.
E os encontros com os rossoneri, como são os conhecidos os torcedores do clube sete vezes campeão continental, também envolvem conjuntos apaixonados por outros times. “Já organizamos eventos com torcedores de outra equipe italiana, a Juventus, da Juventus Fan Club San Paolo. Foram duas vezes, pra assistir a dois jogos entre Milan x Juve. Ambos os encontros foram em São Paulo”, completa Nathalia.
OS DOIS LADOS DA MOEDA
A identificação do brasileiro com o futebol verde e amarelo ainda é uma resistência ao completo monopólio do brilhantismo europeu no coração do torcedor. Não à toa que, como revelado nas pesquisas citadas anteriormente, a maioria das pessoas ainda tem como primeiro time um clube nacional.
O Estudante de engenharia da computação, Bruno Melo, de 22 anos, fala com apreço do seu amor pelo Manchester United, uma das agremiações esportivas que mais arrecadam dinheiro com patrocinadores e visitas de turistas ao seu estádio, o lendário Old Trafford.
“Torço pelo Manchester United há 13 anos. Já comprei produtos oficiais, acompanho todos os detalhes. Levo como meu segundo time do coração, pois aqui em Pernambuco sou Santa Cruz. Vi grande times e outras fases não tão boas. Mesmo de longe, a gente acaba cativando esse sentimento”, afirma. Perguntado para quem torceria se houvesse um duelo entre Santa Cruz e Manchester United, ele não titubeia. “Torceria pelo Santa Cruz, até porque o que está mais perto acaba te marcando mais. Você cresce num contexto, tem muitos mais amigos que nutrem aquela identificação junto contigo. Tem lá suas diferenças”, salienta.
O mesmo caso acontece com Ítalo Patrício, técnico em segurança do trabalho. Adepto do Barcelona, atual campeão espanhol, ele não vê problemas em diferenciar o amor que sente pelo Sport Recife do apreço pelo clube catalão. “São quase dez anos acompanhando o Barcelona. Comecei a torcer vendo o que, na minha opinião, foi um dos melhores times da história, com o Pep Guardiola. Desde então não perco um jogo, torço mesmo. Mas é diferente, porque até pela distância eu não sinto tudo isso de perto. Frequento a Ilha do Retiro, incentivando o Sport. Um amor que vem de berço”, reforça.


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